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  • Foto do escritorSara Midões

Como comunicam as equipas excelentes?

Atualizado: 1 de out. de 2021

Quem já teve a felicidade de trabalhar numa equipa saudável, feliz e de alto desempenho, sabe do que falo. Aquela confiança que se espelha na forma como os elementos do grupo interagem entre si. A coesão, a conexão, o à vontade, o desejo de partilhar, rumo ao objetivo comum. Um diz mata, o outro diz esfola, e a excelência acontece. A qualidade das interações é boa, construtiva. Todos se respeitam, todos importam e todos aportam.

Estas equipas comunicam de forma diferente. Sabem que as palavras importam, que constroem realidades, que podem esmagar ou elevar. E não é preciso serem todos “amiguinhos”, não é disso que se trata. Comunicação, cooperação e coesão são dimensões interdependentes nas equipas. Em grupos coesos, os indivíduos cooperam mais entre si e comunicam melhor. Ou será que comunicam melhor e por isso desenvolvem uma atitude mais colaborativa e reforçam o sentimento mútuo de pertença? Na verdade, a comunicação é o que conseguimos gerir de uma forma palpável, o que está ao nosso alcance mudar e ajustar na prática do dia-a-dia. Por isso, partilho aqui alguns princípios fundamentais.

Cinco declarações positivas para cada negativa
Palavras de reconhecimento ou encorajamento, de disponibilização de ajuda ou de expressão de gratidão são exemplos de atos de fala positivos. As equipas com maior desempenho usam cinco vezes mais declarações positivas do que declarações negativas, como sejam a crítica, o sarcasmo, a desaprovação ou a insatisfação.

Falar e escutar em igual medida
Somos donos da nossa razão. Adoramos dar uma opinião e expor ou defender as nossas posições, mas quão abertos estamos para solicitar o ponto de vista dos outros? É da partilha de visões diferentes que nascem as melhores ideias, as melhores soluções co-construídas por todos. Nestas equipas, fazem-se tantas perguntas quantas afirmações.

Todos são protagonistas
Os extrovertidos chegam-se à frente e muitas vezes, mesmo sem querer, abalroam quem é mais tímido, usando e abusando do tempo de antena. Na verdade, a equipa é de todos, o grupo é de todos e por isso todos devem ter igual espaço para comunicar. Este cuidado de partilha está relacionado com o ponto anterior, com a importância da escuta e da construção colaborativa das melhores soluções.

Comunicação olhos nos olhos
A interação interpessoal “ao vivo e a cores” é mais rápida, mais interativa, mais vibrante, mais rica e mais espontânea. O email é importante, sim, quando é preciso formalizar a comunicação ou para facilitar que a informação chegue a todos ao mesmo tempo. Para além destas situações, há que reaprender a falarmos uns com os outros. Olhos nos olhos e (por que não?) sorriso no sorriso.

Sem intermediação das chefias
Nas boas equipas, todos comunicam entre si de uma forma natural e fluida, sem necessidade da presença ou intermediação das chefias. Tudo porque existe um ambiente de construção, onde reina a confiança. Por que razão devem as boas ideias esperar pela disponibilidade de agenda do chefe para serem discutidas e aperfeiçoadas? O contacto pode e deve ser direto.

Partilha de informação
Nas equipas excelentes, é um prazer partilhar informação, relatar um estudo interessante que se leu, uma notícia do setor importante de que se soube. Partilhar conhecimento. Partilhar, partilhar. Porque todos estão interessados nesta conectividade, nesta ideia de abundância em que damos primeiro muito para receber depois em dobro.

Os líderes marcam o tom
É mais difícil tudo isto acontecer de uma forma espontânea, à margem de quem dirige a equipa. Aqui entra o papel do líder, que marca o tom e estabelece as regras, mesmo que implicitamente. Quem vê de cima reforça práticas virtuosas e positivas e transforma comportamentos menos prosociais em ações pelo grupo. Muitas vezes basta estar atento e conduzir a orquestra em harmonia. O mais importante? O exemplo.

A autenticidade é essencial
Todas as regras em cima referidas de nada servem se forem aplicadas de uma forma artificial. Se há um problema na equipa, este tem que ser endereçado. Há que olhar para as causas de uma forma mais profunda, porque tudo tem uma solução. As palavras também servem para resolver conflitos ou tensões. Para esclarecer e apaziguar. As palavras também foram feitas para as conversas difíceis.

Finalmente, há todo um mundo de variáveis que influenciam as necessidades de comunicação em equipa e o seu efeito sinergético na coesão e na confiança do grupo. Tipo de tarefas, contacto remoto ou presencial, personalidade dos indivíduos, diversidade, cultura da empresa, enfim, são só exemplos. Uma coisa é certa, se a intenção estiver no sítio certo, metade do caminho está feito. A outra metade é conscientemente colocar em prática essa intenção.

E a magia acontecerá.

* Artigo originalmente publicado na Revista Saber Viver.
 
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